
A voz entre o quotidiano e o performativo. Este é o mote que dará início à exploração vocal de Air Works. A partir da voz enquanto matéria, a performance percorrerá diferentes vértices do aparelho fonador. A palavra, e a lógica, serão abandonadas para dar lugar ao som que não obedece aos signos da linguagem. A partir de uma perspectiva feminista da voz expandida, procurar-se-á o caminho sonoro entre o interior e o exterior do corpo, focando a atenção na forma e intensidade dos percursos vocais.
O significado construir-se-á, então, de outras formas, criando a paisagem sonora pela improvisação, sobreposição melódica, e repetição de padrões vocais. Convoca-se assim, um jogo de sugestão: cada som deixará as pistas necessárias para a criação do seguinte. A performer compromete-se a permanecer como corpo de recepção e mediação, filtrando os vestígios sonoros, para logo contribuir com novas ações vocais.